Desfaz-se o tempo em rotinas e vontades em projectos e verdades
Em desgostos que se alastram em vestígios distorcidos
De nascentes que encontramos
E sempre quando seca
Que tudo se tem que agarrar a tudo que faz fugir
E a verdade passa a estar
No fundo de um copo cheio do que se quer ser
E a beata no chão que faz os olhos arder
E nova moda nas crianças que ainda estão a aprender
Como tem que estar e andar e beber e dançar e comer
E falar e ouvir e sentar e sorrir para saber existir!
Só eu sei ver o sol nascer
Desfaço-me em pedaços em retratos
Em bebidas que trocamos e abraçamos
Sim, fugimos, mas voltamos!
E o que presta e o que resta em nós…
No fim de festa onde todos sabemos quem somos
Ou quem não se quer lembrar ou quem precisa de estar
Perdido noutro sonho
A mesmo noite o mesmo copo o mesmo corpo
A mesma sede que não sabe secar
Onde se encontra sem se procurar
Onde se dança o que estiver a tocar.
Muito fumo, muito fogo,
Muito escuro onde somos o que queremos
Quase fomos o que queremos………………..
Só eu sei ver o sol nascer
*Tiago Bettencourt (vocalista dos "Toranja")